O Clube é uma associação de interesse público com pilares na filosofia de aldeia do conhecimento.
Por Neide Diniz
Na noite de 23 de agosto, convidados e representantes da sociedade civil participaram da cerimônia
de fundação e posse do Kilombo Ngangu Clube. A celebração contou com apresentação dos 11
membros do Clube e também com exibição de uma plataforma de serviços voltados para
profissionais negros. O presidente do Ngangu, Cloves Antônio Alves, em nome dos membros da
diretoria, destacou a relevância da circulação dos recursos econômicos entre negros e negras.
“Acredito na autonomia e na liberdade plena de escolha e para isso, a gente precisa conquistar a
independência financeira”, pontuou Cloves. A plataforma está disponível no site
https://kilombonganguclube.com/#
No palco, a arte e a cultura também foram celebradas com a copeira do Mestre Claudinho e a dança
afro da professora, Mirna da Conceição. A pedagoga e militante Sônia Maria fez uma explanação
contextualizando fatores econômicos com autoestima. “O nosso lugar é aonde a gente quer chegar,
merecemos os cargos de chefia e não podemos nos contentar com pouco, somos tão inteligentes e
competentes como qualquer outro não negro”, afirmou Sônia.
Em seguida, os membros do Clube assumiram suas cadeiras num gesto simbólico de posse recheado
de emoção. Cada cadeira da diretoria foi agraciada com um patrono e os nomes foram escolhidos
pelos membros do Clube. Apenas três nomes serão eleitos em outro momento pelos novos
associados. As famílias dos homenageados compareceram e foram saudadas com pronunciamento
de histórico, foto no telão e intensa salva de palmas a cada patrono.
Conheça os homenageados
Os homenageados são: Benedito Martins, Valdirene Souza da Costa, Luiz Carlos Felipe Firmo,
Estelina Ferreira, Manoel Maria da Silva, Maria Lúcia Cerqueira Diniz, Juventino Benevenuto e
Maria Aparecida Freitas. O patrono do Clube é João Batista Ganga, que foi uma emblemática figura
na formação e na conscientização da juventude negra de Resende.
Sobre o Kilombo Ngangu Clube
O lema do Clube é: “o que nos une e a Raça”. De acordo com a diretoria, o lema é uma reflexão sobre
a identidade da comunidade negra e os paradigmas que segregam e unem a população. Dentre os
objetivos, combater as manifestações de racismo é uma das prioridades que inclui: incentivar a
formação profissional, estimular o empreendedorismo e promover, entre outras atividades, a
camaradagem, o companheirismo e o respeito aos direitos humanos.
As diretrizes do Clube Ngangu são fundamentadas na sabedoria africana. O emblema é um símbolo
Adinkra, que numa tradução livre, significa elos de correntes, o que dá ideia de força e união. E as
cores do Clube é uma referência à bandeira da Etiópia, país africano que resistiu bravamente à
colonização europeia. As cores também lembram a bandeira do Brasil. Segundo a diretoria do Clube,
cada cor emite uma mensagem. O preto simboliza os povos negros da terra; o vermelho, o sangue negro
derramado; o amarelo, a paz e a liberdade religiosa; e o verde, a diversidade, fertilidade e esperança.
Significado de Ngangu
A denominação “Kilombo” significa aldeia e “Ngangu”, conhecimento e sabedoria. O termo Ngangu
tem origem no idioma Kimbundu, um dos vários idiomas Bantu falado em Angola. Kilombo Ngangu
pode ser traduzido para aldeia do conhecimento e da sabedoria.



